O ponto mais impressionante? O Prelude consegue fazer incríveis 18,7 km/l combinados. É um rendimento absurdo para algo tão esportivo
Em vez disso, saí da minha primeira experiência com o Prelude perfeitamente satisfeito. É um bom carro, não me entenda mal. O design é lindo, a cabine é confortável e a dinâmica é mais do que esportiva o suficiente para a maioria das pessoas que buscam essa categoria. Mas para um carro que começa acima dos US$ 43.000 (nos EUA), não tenho certeza se ser "bom" é o suficiente.
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O lado positivo: design e interior
Vamos começar pelas coisas boas: o novo Prelude é certamente bonito, mais bonito do que qualquer Toyota GR86 ou Subaru BRZ jamais foi. Em vez de elementos agressivos projetados para avisar quem olha que este é, de fato, um carro esportivo, a Honda optou por uma estética mais fluida e suave, algo raro hoje em dia.
Os faróis voltados para cima, que lembram uma auréola, dão ao Prelude um "rosto" mais suave, enquanto o para-brisa inclinado flui pelo teto até uma traseira estilosa no estilo fastback. É adorável. A barra de luz na traseira remete ao Porsche Taycan (o que não é nada ruim), enquanto a nova logomarca "honda" em letras minúsculas fica logo abaixo. Não se parece muito com os Prelude do passado, mas, por outro lado, o design desse carro sempre foi meio idiossincrático ao longo de suas primeiras cinco gerações. Os compradores podem escolher qualquer cor, desde que seja Rallye Red ou Boost Blue Pearl (por US$ 455 extras). Rodas pretas de 19" vêm de série, mas rodas direcionais de dois tons estão disponíveis por adicionais US$ 2.156. O interior oferece couro preto padrão ou uma combinação de azul e branco. Esta última adiciona detalhes claros à parte inferior do painel e ao console central, dando uma pitada de brilho à cabine, que de outra forma seria discreta. O design das saídas de ar em estilo "colmeia", assinatura da Honda, vem de modelos como o Civic, assim como os botões físicos táteis para o controle de temperatura. Em um mundo de excesso de telas sensíveis ao toque, esses recursos são muito bem-vindos.
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Onde a Honda economizou
A tela sensível ao toque de 9" do Prelude é maior que a dos rivais GR86 e BRZ (8"), mas os elogios param por aí. A tela é pequena e de qualidade irracionalmente baixa para um carro de 2025. A câmera de ré também é muito mais embaçada do que deveria ser. O painel de instrumentos digital de 10,2" foi tirado diretamente de outros modelos da Honda, como Accord e CR-V. Ele projeta muita informação e é altamente configurável, mas é um pouco entulhado. Uma simplificação da interface (UX) ajudaria muito aqui.
O banco do motorista tem bons apoios laterais, mas não é desconfortável. Suas costas não vão doer após horas dirigindo — ao contrário do que aconteceria nos bancos do Civic Type R. Mas nem tente entrar no banco traseiro. Assim como no GR86 e BRZ, o banco de trás é praticamente inútil; tentei me espremer lá com meus 1,82 m e nem consegui sentar direito.
Na Estrada: barulhento e rígido
Dirigindo pelas estradas sinuosas na Califórnia, uma coisa fica clara imediatamente: o Prelude é barulhento. E não é um barulho bom — ruídos de estrada, vento e pneus ecoam pela cabine. Conversar com o passageiro exige elevar um pouco a voz. O rodar também não é exatamente macio. Embora a Honda venda o Prelude como seu "Grand Tourer", o cupê sofre em pavimentos irregulares. As rodas de 19" com pneus de perfil baixo certamente ajudam no visual, mas prejudicam a qualidade de condução.
Surpreendentemente, o motor híbrido até que soa bem. Eu sei, a maior parte do som é simulada pelos alto-falantes, mas é uma nota agradável e muito mais envolvente do que em qualquer híbrido tradicional. Mesmo do lado de fora, o escapamento tem um borbulhar sutil. O motor híbrido de 2.0 litros tem uma disposição semelhante à do Civic. Ele envia 200 cv para as rodas dianteiras através do que a Honda chama de "sistema híbrido de acionamento direto". O Prelude não vai te deixar chocado na arrancada de 0 a 100 km/h (estimada em 6,5 segundos), mas a aceleração inicial é melhor do que se imagina, graças ao torque instantâneo do motor elétrico.
Nas curvas, o carro se comporta muito bem. Embora não seja tão afiado quanto um Type R, ele tem excelente controle de carroceria e uma direção direta. É divertido e fácil de guiar em estradas montanhosas. Sobre a transmissão: não é um CVT por definição, mas tem traços de um no seu DNA. Ao pressionar o botão “S+” e usar as borboletas no volante, você ativa trocas de marcha simuladas. As "mudanças" são rápidas e entregam um solavanco de potência, mas não são convincentes o suficiente para parecerem uma caixa de câmbio real. Parece mais um videogame.
O ponto mais impressionante? O Prelude consegue fazer incríveis 18,7 km/l combinados. É um rendimento absurdo para algo tão esportivo.
Veredito
Analisando friamente, o novo Prelude acerta em muita coisa. É estiloso, eficiente e genuinamente bom de dirigir. A Honda o chama de seu "carro halo" — uma vitrine do que é possível com seu atual sistema híbrido. O problema é que ele também cobra preço de "carro halo": US$ 43.195. Mesmo que a Honda insista que não está competindo com o BRZ, GR86 ou Miata, é difícil ignorar que este Prelude custa pelo menos US$ 10.000 a mais que cada um deles. No Brasil, também não será barato, considerando que um Type R, hoje, custa R$ 430.500 e, nos EUA, o esportivo custa US$ 45.895. No fim das contas, o Prelude entrega o que prometeu: um cupê híbrido estiloso e esportivo. Se ao menos ele entregasse também no preço, faria ainda mais sentido. No Brasil, chega em 2026 com a mesma proposta, inclusive não sendo barato, mas algo bastante exclusivo.
Fonte: motor1 Fotos: Divulgação
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